domingo, 10 de dezembro de 2006

UM POEMA DE NATAL


Trevas perpétuas
Cobrindo o planeta
Num estábulo pequenino
Um menino
Distante do mundo
Dos sonhos conturbados
Cercado de pastores e de Reis estranhos
Nó na garganta
Que se agiganta
De nada adianta
Gritar pelas ruas
A noite virá
Até Deus me abandonará
Até o dia em que eu vivia se foi
Que dirá o vento frio
Que dirá o desconforto
Abandonado no Horto
Sem oliveiras orientais
Fundos de um lugar esquecido
Morto que não nasceu
A vida de mim se esqueceu
E não podem me ouvir
Até onde se estendem os horizontes enevoados
Que nada prometem
Flutuo ao acaso
Sem eira nem beira
Sem crença nem sentença
Atrelei-me ao dia passado
Sem que ninguém tenha percebido
A hora da aurora brilhante passou
E nem notei que passava
Lança que me perfura o peito nu
E que me impede de voar até o paraíso
Em que nuvem deixei repousando a minha felicidade
Em que escura caverna de minha memória apagada
Teu corpo bonito e aconchegante se escondeu
Desejo único desta vida de misérias
Sem que tivéssemos nos enroscado
Pernas e braços e bocas e cabelos e suores
E líquidos e seios e nádegas e
Olhos cegos
E mentes alucinadas
Numa loucura total
Entre corpos que se devoravam
Na ânsia desesperada
Do prazer absoluto
Do orgasmo celestial
Que nos levaria a ultrapassarmos o céu infinito
Sonho mudado em pesadelo constante
Em pleno verão de sol escaldante
Sinto frio
Incompreensível frio sepulcral
A falta que me fazes
Impede a noite de Natal
De vir até a mim
Nem mais lágrimas
Nem mais dor
Nem mais sonhos
Nem mais paixão
Nem mais esperanças
Nunca mais
O nascimento de uma vida nova em mim
Perdeu o sentido
Que já não te vejo mais
Meu boneco de louça
Que já não desejas mais
O meu amor

FELIZ NATAL
(Obrigado amigo Walter)

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