quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Eu sinto...


Parto a vida em redor de mim!
Não quero ser perfeita,
nem escritora,
nem pseudo-inteligente,
nem verdadeiramente inteligente,
nem estupidamente inteligente
ou inteligentemente estúpida!
Eu só quero ser eu.
Só quero escrever "Eu" e saber
que merda é essa.
Eu só quero que me leiam e me sintam.
Eu não quero
nem nunca quis que
me compreendessem.
Só que me amassem
consoante me tocam.
E quando me tocassem o fizessem
sem limites, nem restrições.
Orgasmos na ponta dos dedos.
Eu nunca quis ser poeta,
nem escritora, nem coisa nenhuma
para além do imenso nada que é tudo
em mim.
Eu nunca mas NUNCA quis ser mais
do que poderia ser se os meus olhos
fossem duas pérolas
dois sorrisos perdidos.
Eu nem sequer quero ouvir
a minha voz a ler o que escrevo.
Eu não me leio para as paredes porque
as paredes são o meu sufoco e o meu amparo.
Eu sou a ausência das minhas próprias palavras.
Não vês que vivo nelas?
Não vês que apenas sinto por elas?
Não vês que as respiro,
as mastigo, as atiro para fora
num gesto que me rasga por dentro?
Não quero aplausos.
Não quero que me digam "entendo-te".
Quero apenas "amo-te".
Se não me podem amar não
me toquem, não me
aqueçam no calor de uma chama
inexistente.
Não quero nem quis
sombras de mim mesmo.
Quero um painel de cores
com todas as tonalidades dos olhos de Deus.
Eu quero...
Eu sou.
São as únicas dimensões
que conheço na escrita.
Porque não posso ser outra
que não eu.
Não me posso inventar nem redefinir.
Não me posso apaixonar sem
ser com o meu coração.
Nem tocar sem ser com os meus dedos.
Por isso não me digas
que esperas de mim outra coisa qualquer
que não sentimento puro, essência
da minha alma.
Não me digas que te desiludo,
que sou a expectativa que morreu
sem sequer nascer.
Não me digas palavras.
Eu serei sempre opostos, extremos,
pontas perdidas,
sonhos sem sonhador.

Sabes isso?
Não!

Eu também não.
Por isso me relembro nas palavras.

3 comentários:

Anónimo disse...

Ajeito-me na cadeira e demoro-me largos minutos nas tuas palavras, toco-lhes como se se tratassem de pontos estratégicos, toco-lhes como se a chave do poema fosse comparável a um ponto G. Mas comparável é apenas a sensação eléctrica de estremecimento brutal, é apenas a sensação de convulsão e de posterior apaziguamento.

Nem sempre te consigo tocar porque nem sempre estou disposta a estremecer e a sentir no meu corpo o arrefecer da pele e a consequente sensação de pele de galinha. A verdade é que me demoro muito em cada palavra, a verdade é que as sorvo com uma sofreguidão imensa, como se o estranho líquido fosse o veneno doce do apodrecimento da alma. Como se as tuas palavras fossem o texto que se lê na folha de uma autópsia, uma radiografia autêntica do eu crú que mortos (alguns vivos) somos...

Um beijinho Pequenina,

Anónimo disse...

Que vejam , que leiam o que é real.Fiquei com os meus olhos "roucos" de ler e reler....

beijos

Anónimo disse...

Há palavras que têm o condão de nos deixar surdos...estas até cegas me deixaram!
Jinhos