terça-feira, 6 de março de 2007

Última carta...

"Há coisas que devem ser faladas, questões que já coloquei várias vezes e das quais nunca obtive resposta, acordo e penso vai ser hoje, vou falar, vou telefonar.
Mas acabo por não ser capaz, ao olhar-te, ver o teu sorriso, ouvir a tua voz, acabo por ficar tontinha e nervosa sem coragem de estragar aquilo que para mim é um momento mágico, minha vida fica colorida e tudo é perfeito.
Já escrevi milhentas mensagens, para te enviar e acabo sempre por desistir, nem sei se esta também, não vai ser escrita em vão.
Tu ensinas-te a voltar a sonhar, lembro-me a última vez que nos encontramos ainda no sonho, abraçaste-me e disseste uma coisa que era eu quem costumava dizer,”Hummmm que saudades, adoro-te” isso aconteceu nos primeiros dias de Fevereiro, fiquei feliz e surpresa. Estava até aí convencida que a tua demonstração de sentimentos eram aquelas pequenas surpresas que me fazias, as pequenas atitudes que mantém qualquer sonho vivo e ouvindo o que ouvi, fizeste-me a maior surpresa de todas, mas depois dessas palavras, que soaram como música aos meus ouvidos e bateram forte em meu coração tudo mudou, as pequenas mensagens que me deixavam de coração acelerado que me faziam subir às nuvens, deixaram de chegar, os teus olhos já não sorriam com a mesma intensidade, o teu sorriso deixou de ter a mesma luz, perguntei várias vezes (as poucas que depois disso consegui te olhar) o que se passava, se estavas bem, mas as tuas respostas evasivas nunca foram esclarecedoras, daí estar a escrever.
Estou seriamente preocupada, será que te arrependeste? Será que já não queres e não sabes como dizer? Será que eu ter feito de conta que estava tudo bem te levou a este tipo de postura? Será que exagerei no excesso de zelo, de não querer te preocupar com perguntas que poderiam ser tontas? Será que te sentiste pouco amado por eu aceitar todos os teus termos e não querer discuti-los? Ou será que te assustaste com a intensidade dos meus sentimentos e entrega? Eu queria muito ser o teu amigo de copos, que para além do que sentia fosse a tua confidente e melhor amiga, mas tenho a sensação que falhei, também nunca tinha vivido uma situação assim, afinal temos alguém mais importante para além de nós.
Não quero sentir que possa estar a forçar situações, daí eu deixar correr e não te escrever, ou evitar ligar e esperar que sejas tu a dizer quando podes estar comigo.
Não seria mais fácil abrir comigo dizeres o que sentes em vez de contares o que fazes?
Não seria uma forma de eu me sentir melhor? Com certeza que sim, acabei por perder um pouco a facilidade de contacto contigo (o medo de perder o sonho é maior que as minhas forças) mas sei que é um erro e estou sim arrependida de eu ser assim.
Só se sente o que se sabe falar. E eu acho que não soube falar, pois tudo isto é uma situação nova para mim. Mas eu gosto, gosto de ti, tenho por ti uma doidice, falo, falo (na tua presença) nem sei o quê, mas gosto, gosto de ti.
Estarei a ser demasiado chata? Estarei a pedir o que não devo? Estarei a ser excessiva de novo? Este medo de te cansar não me larga um minuto. Este tormento de querer está a ser demasiado pesado. Sinto-me mais só que nunca. Antes era uma solidão resignada, agora é dolorosa."

Esta carta foi escrita faz hoje 10 meses, nunca tive coragem de a enviar mas hoje olhando-a e achando-a tão actual decidi colocá-la como encerramento de um ciclo da minha vida, todas as dúvidas continuam por esclarecer, todos os meus sentimentos continuam iguais e talvez mais fortes, esta paixão consumiu tudo em mim, por isso chegou a hora de virar a página, mesmo porque hoje mais madura sentimentalmente, aprendi que o que não nos faz bem, também não tem obrigatoriamente que nos fazer mal, as coisas, os acontecimentos e os factos da vida só têm a importância que lhes queremos dar, e eu aqui, agora e já, abandono o meu caso, a luta acabou, as forças esgotaram-se nada mais tenho que mendigar.
Obrigado por me teres ensinado a sonhar, obrigado por me teres ensinado a despertar.
Nunca te perdoarei a traição, a falsidade, a mentira e muito menos as lágrimas que chorei por ti.
Teria sido tão fácil ser honesto e verdadeiro.

3 comentários:

Anónimo disse...

Linda YSL, vc num é chata e nem desmedida, ou qualquer coisa que ultrpasse os bom senso, vc é o próprio bom senso, vc é o amor. Te cuida. Todos os beijos

YSL disse...

Mesmo sem nunca ter falado directamente acho que te conheço pelo que leio teu, obrigado pelas tuas palavras que soaram doce mel.

Anónimo disse...

Querida YSL, se é coincidência ou não, nem sei, mas tb tenho essa impressão de conhecer teu jeito de escrever, e, ou alguma coisa, mas é assim mesmo, de vez em quando nos bate essa paranóia de já ter visto ou conversado com alguém.. Mas acho que escreves bem, e que deves ir mais fundo.. Ah! E quanto a mulher bonita que dissestes que és, eu nem duvido disso, aliás já imaginava...beijos