
Bom dia, meu amor, é bom acordar e sonhar contigo assim, acordada, à espera que o tempo te traga outra vez para junto de mim, para saber a que saberás tu, sabes sempre de modo diferente…Lembro-me bem do primeiro dia para que me convidaste, lembro-me como se tivesse sido ontem e, no entanto, o tempo desmente-me, o tempo é, na verdade, impiedoso!
Lembro-me na 2ª vez que saímos das tuas mãos suaves a despirem-me o corpo arrepiado, dos teus olhos a imobilizarem-me… Lembro-me da tua respiração nos meus ombros, da tua boca sossegada, sem pressas…Tiraste-me a respiração da minha boca, disseste que querias o meu ar para ti e eu ri-me e chamei-te parvo. Afinal, eu é que era parva, porque tu tiraste-me mesmo a respiração… Quando me mordeste os ombros, quando saboreaste à tua vontade, sem pudor, os meus seios e deles te apropriaste… A tua boca desenhou o meu corpo, a tua língua pintou-o de vermelho e o Céu que tão longe estava, tão perto ficou… A tua voz, mais que aquilo que dizias, trovejava na minha cabeça, lá onde não sabia que havia espaços, ou fosse lá o que fosse que havia, ou fosse lá onde lá fosse que havia…
Lembro-me na 2ª vez que saímos das tuas mãos suaves a despirem-me o corpo arrepiado, dos teus olhos a imobilizarem-me… Lembro-me da tua respiração nos meus ombros, da tua boca sossegada, sem pressas…Tiraste-me a respiração da minha boca, disseste que querias o meu ar para ti e eu ri-me e chamei-te parvo. Afinal, eu é que era parva, porque tu tiraste-me mesmo a respiração… Quando me mordeste os ombros, quando saboreaste à tua vontade, sem pudor, os meus seios e deles te apropriaste… A tua boca desenhou o meu corpo, a tua língua pintou-o de vermelho e o Céu que tão longe estava, tão perto ficou… A tua voz, mais que aquilo que dizias, trovejava na minha cabeça, lá onde não sabia que havia espaços, ou fosse lá o que fosse que havia, ou fosse lá onde lá fosse que havia…
E o verde dos teus olhos iluminou-me e vi como quiseste cada centímetro de mim, nunca ninguém ficou mais nua que eu, aposto que não… E o meu ventre foi onde aterraste o voo do teu desejo, as curvas do meu corpo que descobriste, os caminhos que eu nem sabia que havia e que tu desbravaste… E quando as tuas mãos prenderam as minhas e os teus dedos se entrelaçaram nos meus e afinal os teus olhos já eram um mar revolto e afinal o céu estava ali… Quando já não sabia de mim e tu quiseste ver o retrato do meu rosto quando foste rio e eu lago onde desaguaste, quando as gaivotas levantaram voo da chaminé, assustadas com as estrelas que o fogo pariu, quando o mundo se resumia a ti, a ti, a ti… Planei contigo por ares desconhecidos, mostraste-me lugares com cores nunca vistas, ouvi canções nunca escritas… E quando me pousaste sobre ti no sofá, quando me devolveste a mim, pintada ainda com o furor do teu olhar verde, inundada de tremores desconhecidos, aquecida por vulcões que inventaste e me devolveste a respiração que era minha, nesse momento soube que viver é ouvir dizer, baixinho, gosto de ti, como tu me disseste nessa e nas outras vezes... Mas ainda assim, obrigado por me teres ensinado a voar! Hoje, choro só comigo, e não digo nada a ninguém. Talvez um dia tu tenhas um daqueles golpes de asa que só vi em ti e me tires dos espaços que afinal para nada servem, dos cantinhos onde afinal só há solidão. Porque eu não consigo, sabes?!
PS: Esta não é a carta que irás receber. Essa, a que vais receber, está já fechada e selada, em cima da mesa, pronta para ir para o correio. Fala-te de coisas mais banais, mas talvez tu consigas ler o que lá escrevi com tinta branca. E fico à tua espera, embora eu saiba que eu sou quem devia interromper a tua espera. Se tu quisesses... (A cama é a mesma, sim.)
PS: Esta não é a carta que irás receber. Essa, a que vais receber, está já fechada e selada, em cima da mesa, pronta para ir para o correio. Fala-te de coisas mais banais, mas talvez tu consigas ler o que lá escrevi com tinta branca. E fico à tua espera, embora eu saiba que eu sou quem devia interromper a tua espera. Se tu quisesses... (A cama é a mesma, sim.)
1 comentário:
Muito triste mas de uma beleza tal de alma que me deixa encantado pelo momento e compartilhando a tristeza. A tua alma poeta está em tudo que fazes, só queria que não fosse sina essa tristeza toda.Bjs doce
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